24/07/2015

em terra boa… (Mt 13,18-23)

Uma parábola, quatro terrenos. No Brasil Colônia, Pe. Vieira escreveu um famoso sermão sobre o tema. A semente é a mesma: a Palavra de Deus. A Boa Nova da salvação. O semeador é o mesmo: o próprio Senhor. O que muda é a terra… E a terra é imagem do coração humano, que acolhe de várias maneiras a semente que Deus vem plantar amorosamente. Sendo uma das raras parábolas que o próprio Mestre interpretou (cf. Mt 13,18-ss), fica fácil extrair sua mensagem.

Na terra batida do caminho, o Maligno arrebata a semente antes que possa penetrar e germinar. Quem cede às tentações e sugestões do Inimigo encarna bem este terreno. Os mestres da ascética e da mística sempre nos alertam para a necessidade de vigilância para fugir até mesmo das ocasiões de pecado. Quem brinca com o fogo…

O terreno pedregoso simboliza a volubilidade humana: à primeira dificuldade, obstáculo ou perseguição, logo brotam reclamações, amarguras e azedumes. Vêm à tona os sentimentos de desânimo, de impaciência, que geram o comportamento de vítima. E não demora a secar a plantinha que havia brotado…

E os espinhos que sufocam a planta? São as luzes do mundo, seduções do paganismo, saudade dos prazeres mundanos. No coração, apesar da experiência de Deus, permanecia algum apego às “delícias” da sociedade sem Deus, onde se vive de lucro e prazer e – acima de tudo – onde há notável alergia a todo tipo de cruz…

Enfim, temos a “terra boa”. Ouvir a Palavra, acolher com amor e permitir que ela dê frutos… Se, por um lado, tudo é graça, pois é Deus quem semeia, por outro lado tudo é cooperação com a graça, pois o Senhor respeita a liberdade de cada um. A seara viçosa e a fértil colheita dependem do jogo desses dois amores: um Deus que ama e alguém que se deixa amar.

Não podemos reclamar: Deus tem insistido em sua sementeira. Geração após geração, século após século, Deus tem sido fiel. Não nos faltou a sua Palavra. Não nos faltou a sua Igreja. Não nos faltaram os seus santos.

Bem, devo confessar. Não sabemos ser terra boa. Mas podemos pedir a Deus que adube nossa terra. E ele o fará. Ainda que seu adubo sejam provações, sofrimentos e cruzes. Tudo por amor…

Orai sem cessar: “A terra está cheia da bondade do Senhor!” (Sl 33,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.