Não o conheço pessoalmente. Aliás nunca o vi, nem pela tv, nem sequer ouvi a sua voz. Mas vou escrever umas palavras de apoio para ele. Faz alguns dias seu nome tornou-se mais público do que normalmente o é, dada a sua condição de reitor do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Motivo: numa missa recente, expressou uma oração em favor do ex presidente Lula. Se isso é correto ou não, cada um conclua como quiser.

Mas não é fato inédito que políticos sejam citados no santuário de Aparecida. Faz um ano mais ou menos o próprio D. Darci, então bispo auxiliar de Aparecida e atual arcebispo de Diamantina MG, também citou indiretamente a Lula, quando referiu-se a ele como “jararaca”, cuja cabeça deveria ser esmagada. Claro que, perguntado se a expressão remetia ao ex presidente, desconversou dizendo que não.

Mas o Brasil inteiro tinha escutado o próprio ex presidente referir-se a si mesmo como “jararaca” dias antes da pregação de D. Darci em cadeia nacional de televisão. Ficou por isso. O dito pelo não dito. Mais comum ainda é ver políticos das mais variadas facções desfilarem piedosamente no santuário de Aparecida, como ocorre rotineiramente com o ex governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, que na lista de propinas da Odebrecht é conhecido pela alcunha de “santo” cujo governo subtraia merenda escolar de criancinhas inocentes. Mas o fato é que o Pe. João Batista tocou num vespeiro. Arrependido, retratou-se publicamente com o apoio de seu superior provincial e do arcebispo de Aparecida.

Mas basta olhar o site do Santuário para ver que o Pe. João Batista não faz parte daquela classe privilegiada de seres humanos aos quais se oferece o perdão quando o arrependimento dá lugar a um erro. Não. Pe. João Batista não tem esse direito. Ele tem que ser excomungado, tem que ser retirado da reitoria do santuário, tem que ser execrado, tem que ser vilipendiado, humilhado. Quem vocês acham que quer isso? Deem uma olhadinha no site do Santuário e acharão as digitais de Bernardo Kuster, o néofito mimado, “guardião” da sã doutrina, tido como oráculo de todas as verdades teológicas da atualidade, cuja palavra vale mais do que a dos 400 bispos da CNBB, e que arregimenta uma legião de seguidores fanáticos sempre de prontidão para secundá-lo em seus mexericos. Hipócritas, julgam e condenam. Mais. Humilham, falam sem conhecer.

Querem que Pe. João Batista deixe até o sacerdócio, porque para eles, sendo comunista é automaticamente excomungado. O que eles sabem sobre o Pe. João Batista? Sabem quantos anos este homem tem de sacerdócio e de vida religiosa? Sabem das lutas que ele travou no serviço à Igreja e à sua congregação? Sabem quanto bem este homem pode ter feito sendo um sacerdote? Sabem se ele tem boa saúde ou se luta com alguma doença? Sabem sua história de vida? Não, eles não sabem nada, mas já o condenaram. Pe. João Batista, para eles não é um ser humano, é um lixo, que não merece perdão. Mesmo arrependido, mesmo pedindo perdão publicamente, ele não merece misericórdia. Jesus perdoou, uma adúltera arrependida, perdoou corruptos arrependidos (Zaqueu e Mateus por ex), perdoou até seus próprios assassinos.

Mas para os inquisidores de hoje, Pe. João Batista não merece que Jesus o perdoe. Essa raça de hipócritas, que brada loas a Virgem Maria, que se indignam com o Pe. João Batista, é a mesma que bate à porta de nossos confessionários buscando absolvição para suas aberrações. Pare eles, misericórdia e absolvição. Para o Pe. João Batista o inferno, que é o lugar de “comunistas” da laia dele e de outros mais como gostam de dizer aos quatro cantos.

Para vocês, raça de víboras, hipócritas, gente falsa, intrigueira e fofoqueira, deixo o meu repúdio.

Ao Pe. João Batista deixo o meu apoio, porque como ser humano, soube reconhecer seu erro e pedir perdão. Ele sim voltará ao altar daquela basílica justificado (Lc 18, 9-14). Já os seus acusadores voltarão para suas casas com seu coração manchado pelo ódio e pelo ressentimento de quem se acha melhor e mais santo que os outros, principalmente se esses outros não comungarem com suas ideias e atitudes mesquinhas de quem gosta de olhar o cisco no olho do outro, mas esquece da trave de madeira tapando o próprio olho. (Mt 7, 3-5)

Padre Alex Sandro Sudre, MSC