Eles já não têm vinho… (Jo 2,1-11)

Ao celebrar a memória mariana de N. Sra. de Lourdes, historicamente ligada às aparições da Mãe de Deus a Bernadette Soubirous, em Lourdes, a Igreja escolhe o Evangelho das “Bodas de Caná”, quando Jesus manifesta sua divindade ao mudar água em vinho, após a intervenção de Maria.

Mais que o lado espetacular de um milagre que afeta o próprio coração da matéria, esta memória cativa nosso olhar para a atuação de Maria de Nazaré, durante uma festa de casamento celebrada na roça. Quando falta o vinho, alma da festa, é Maria quem o percebe e recorre ao Filho, à espera de providências. Mas trata de sair de cena assim que cumpre sua tarefa…

Neste Evangelho, Maria espelha a imagem da comunidade eclesial, que deve estar atenta às necessidades dos homens e mulheres de todos os tempos, recorrendo à Fonte de todo bem, Jesus Cristo, para atenuar os sofrimentos humanos. Sem dúvida, a imagem da “água” terá motivado a escolha deste Evangelho. O mesmo Jesus que muda água em vinho, cura o paralítico, à beira da piscina de Bethesda (cf. Jo 5). Do lado aberto de Jesus, no Calvário, jorrou a água para lavar os pecados da humanidade ferida e devolver-lhe vida plena.

Assim, é natural que nesta data se celebre o Dia Mundial dos Enfermos, a cada ano. Tal como Jesus, a Igreja existe para o doente e o pecador. A Mãe de Deus nos serve de exemplo acabado. Esquecida de si mesma, ela é toda serviço e dedicação aos mais necessitados. Mas deixa a Jesus o primeiro plano.

Na Encíclica “Deus é Amor”, Bento XVI diz: “Maria é grande precisamente porque não quer fazer-se grande a si mesma, mas engrandecer a Deus. Ela é humilde: não deseja ser mais nada senão a serva do Senhor. Sabe que contribui para a salvação do mundo, não realizando uma obra sua, mas apenas colocando-se totalmente à disposição das iniciativas de Deus”.

Com Maria, aprendemos que a atuação caritativa não é mera “ação social”, mas deriva de um coração cheio de misericórdia e compaixão. Nossa Senhora de Lourdes aparece no côncavo de uma gruta, imagem do útero materno, imagem da Igreja acolhedora e aberta a todos os povos.

Da gruta, brota a água onde tantos enfermos foram curados. Do coração da Igreja manam os sacramentos que distribuem vida, curam males e vitalizam os passos dos homens. E todos estes dons divinos existem para os doentes e os pecadores, não são um privilégio para os sadios e bem comportados…

Orai sem cessar: “Com alegria tirareis água das fontes da salvação.” (Is 12,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.