Ele se levantou e o seguiu… (Mt 9,9-13)

Em poucas frases, numa narrativa curta e sóbria, Mateus relata o momento de sua vocação. Jesus passa, vê o publicano em sua banca e diz duas palavras: “Segue-me!” E ele o seguiu.

O publicano é um judeu que aceitou a tarefa nada honrosa de cobrar o tributo de seus compatriotas e repassá-lo aos dominadores romanos, cujas legiões haviam invadido a Palestina no ano 63 a.C. É fácil imaginar o desprezo dos judeus pelos cobradores de impostos, cuja profissão era considerada como “impura”, em razão de seu permanente contato com os “cães” romanos.

Daí, a estranheza dos fariseus, ciosos de sua “pureza ritual”, ao verem Jesus misturado com aquela “gentinha”. E o Mestre obrigado a dizer o óbvio: ele viera ao mundo pelos pecadores. Ajuda a entender se prestamos atenção a um detalhe: Mateus-Levi estava sentado. Posição estática. Ouve o chamado e se levanta. Ação dinâmica. O chamado de Jesus o move, o remove, o promove.

É notável que ele atenda ao chamado sem se fazer perguntas: quem é este homem? Que crédito ele merece? E deixa tudo sem nenhum questionamento, abandonando na banca aquilo que havia recolhido na jornada. E, desde já, o ex-publicano se vê incluído em definitivo na lista dos Doze, as colunas da Igreja que o Mestre está edificando.

Para Hébert Roux, é provável que Mateus mencione sua vocação apenas para poder relatar as palavras seguintes de Jesus, provavelmente pronunciadas na própria casa do futuro evangelista. “Se Jesus entrou na casa dele, é exatamente porque ele veio proclamar o perdão dos pecados no meio de homens pecadores”.

Isto me leva a pensar nas pessoas que dizem: – “Confessar o quê? Eu não tenho pecados… Não matei, não roubei…” Se é assim, Jesus não veio para eles, veio para os outros… Veio para os que ofendem com palavras, veio para os que falam mal do próximo, veio para os que alimentam rancores, os que recusam o perdão, os que negam ajuda material a quem vem pedir… Na verdade, veio também para os que matam e roubam… desde que estes se reconheçam como pecadores…

Enfim, Jesus Cristo não chama apenas pelos puros e santos, as estrelas alfa de cada constelação. Em sua missão de salvar, ele começou por um ladrão, no Calvário, a quem prometeu o Paraíso no mesmo dia. Igualmente, para trabalhar em sua Igreja, Jesus continua chamando gente frágil e sujeita ao pecado. Essa gente se levanta, deixa tudo e o segue…

Orai sem cessar: “Eu te chamei pelo teu próprio nome, tu és meu!” (Is 43,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.