DIA 5 DE DEZEMBRO – SEXTA-FEIRA

Eis que virá o nosso Deus com poder e majestade.

Evangelho (Mateus 9,27-31)

9 27 Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: “Filho de Davi, tem piedade de nós!”
28 Jesus entrou numa casa e os cegos aproximaram-se dele. Disse-lhes: “Credes que eu posso fazer isso?” “Sim, Senhor”, responderam eles.
29 Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: “Seja-vos feito segundo vossa fé”.
30 No mesmo instante, os seus olhos se abriram. Recomendou-lhes Jesus em tom severo: “Vede que ninguém o saiba”.
31 Mas apenas haviam saído, espalharam a sua fama por toda a região.

Palavra da Salvação.

Meditando a Palavra

Será o fim dos tiranos… (Is 29,17-24)

Já chamaram a religião de anestesia. Um “especialista” em humanidade rotulou a religião como “ópio do povo”. Parece que o profeta Isaías pensa diferente… O Messias anunciado é um Libertador que erradica as tiranias contra o homem.

Reconhecido como um “protoevangelho” [um Evangelho que se antecipa aos quatro evangelhos do Novo Testamento!], o livro de Isaías apresenta um conteúdo essencialmente subversivo. Em especial nas suas passagens de caráter messiânico, lemos as promessas de uma “virada de mesa” radical: surdos que passam a ouvir, cegos que passam a ver, feras amansadas, fracos fortalecidos.

É hora de perguntar: a quem interessa que o deserto se torne um jardim? Quem não terá prejuízos se o pasto se tornar floresta? Quem não fatura com as guerras e, assim, não teme a chegada da Paz? “Os humildes” – responde Isaías.
Sim, os humildes se alegram com a perspectiva de um mundo novo, onde o Senhor vem instaurar a paz, nivelar as colinas do ódio, rechaçar as trevas com a luz de seu amor. Os mais fracos, os mais pobres, os excluídos do sistema – por que motivo iriam temer as promessas do Messias pacificador?

Mas há quem tema a paz… O profeta aponta: os tiranos, os zombadores, os que espreitam para fazer o mal. Eles sabem que não terão lugar em um mundo ordenado pela paz e pela comunhão entre os homens. A tática dos tiranos é “dividir para imperar”. Os novos mapas fabricados para a África, após a Segunda Guerra mundial, formando territórios onde eram intencionalmente misturadas etnias diferentes, se inspiraram nesse mesmo princípio.

Agora, vem o Natal e nasce uma Criança que Deus nos envia. Ele encarna a mensagem dos anjos de Belém: “Paz na terra!” Não pode ser uma criança bem-vinda aos tiranos, pois eles vivem da guerra, respiram o ódio, alimentam-se de sangue. A simples notícia de sua vinda tira o sono de todos os Herodes do planeta…

E nós? Somos pacíficos? Amamos a paz? Qual é nossa contribuição pessoal em vista de um mundo sem guerras, uma sociedade sem fronteiras, uma família sem ódio? Em meu coração ainda há espaço para mágoas e ressentimentos? Guardo na gaveta as contas a cobrar? Ou já abri meu espírito à Luz do alto, que permite aos cegos a leitura de um Evangelho do amor?

Orai sem cessar: “O Senhor é minha rocha, minha fortaleza, meu libertador!” (2Sm 22, 2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.