E o menino crescia… (Lc 2,22-40)

No dia festivo da Sagrada Família, a Igreja chama nossa atenção para um fato que poderia passar despercebido: Jesus, o Filho de Deus que se encarnou, precisou de um “ninho” de proteção, a casa de José e de Maria. Foi ali que Jesus encontrou as condições de crescimento integral, pois, segundo São Lucas, ele “crescia em estatura, sabedoria e graça”, isto é, no corpo, na mente e no espírito.

Admirável a colaboração de Maria e de José para a obra da salvação. Maria, além de lhe dar o abrigo de seu ventre sagrado, deu a Jesus o sangue e o leite, carinho e afeto; mas também ensinou o Menino a andar, cantou-lhe cantigas de ninar, rezou com ele.

José, o justo, foi para Jesus o modelo masculino, viril, passando-lhe um timbre de voz, o ritmo da fala, o balanço no andar. Mais ainda: leu para Jesus a Escritura Sagrada, ensinou-lhe a profissão, proveu o seu pão de cada dia. O Papa João Paulo II comenta: “Com a autoridade paterna sobre Jesus, Deus terá comunicado também a José o amor correspondente, aquele amor que tem a sua fonte no Pai, ‘do qual toda a paternidade, nos céus e na terra, toma o nome’ [Ef 3,15].” (Exort. Apost. Redemptoris Custos, 8.)

Reflete, ainda, o Papa João Paulo II sobre a família de Nazaré: “Uma vez que a essência e as funções da família se definem, em última análise, pelo amor, e que à família é confiada a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo e participação do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja sua Esposa, é na Sagrada Família, nesta originária “Igreja doméstica”, que todas as famílias devem espelhar-se. Nela, efetivamente, por um misterioso desígnio divino, viveu escondido durante longos anos o Filho de Deus: ela constitui, portanto, o protótipo e o exemplo de todas as famílias cristãs.” (RC, 7.)

Em nossos dias, a família tem sido alvo de poderosos ataques do mal. É verdade que nós temos colaborado com essas agressões, especialmente quando permitimos que o tempo de oração familiar e partilha da Palavra de Deus seja trocado pela TV e outras formas de diversão e desperdício de tempo precioso.

Por isso mesmo, é inadiável a conversão de nossas famílias, reorientando para Jesus Cristo nossos projetos de vida. Não apenas a família de Nazaré, mas também a nossa é uma “sagrada família”. E não podemos lançar aos porcos aquilo que é sagrado para Deus…

Orai sem cessar: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor!” (Js 24,15b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.