Donde me conheces?! (Jo 1,45-51)

Ao ser elogiado por Jesus de Nazaré, Natanael (também chamado Bartolomeu) estranha: “De onde me conheces? Como podes saber que sou um israelita de verdade, em quem não há fingimento?” (Cf. Jo 1,48.) Jesus dá uma explicação um tanto misteriosa, como quem partilha de um segredo exclusivo dos dois: “Eu te vi quando estavas debaixo da figueira!”

Ainda hoje, “estar debaixo da figueira”, no meio palestino, significa estar meditando para tomar uma decisão importante. Se admitirmos – como afirmam alguns exegetas – que o casamento de Jo 2, em Caná de Galileia, são as bodas de Natanael, é cabível a ilação de que Natanael hesitava em se casar e, após muito meditar, decidiu cumprir suas promessas de noivado. Bastaria isto para ser avaliado como “israelita sem fingimento”…

Mas o que nos interessa de perto é saber que Jesus nos conhece. Assim como no primeiro encontro com Natanael o Mestre Jesus demonstra possuir um íntimo conhecimento do futuro apóstolo, assim esmo ele nos conhece. O olhar de Jesus perscruta nossos corações e nada em nós lhe pode ser oculto.

É como se ele nos dissesse hoje: “Eu te vi no momento em que foste concebido… Eu te vi quando nasceste… Eu te vi, na infância, quando choravas sozinho naquele quarto… Eu te vi adolescente, quando sofreste aquela dolorosa experiência… Eu te vejo agora, mesmo quando disfarças tua dor e tua perplexidade diante dos rumos que tomou a tua existência…”

Estamos sempre debaixo do olhar amoroso de Deus. É a face de um Deus cheio de amor e de misericórdia que nos foi revelada em Jesus Cristo. Um Deus capaz de se compadecer de nossas misérias, de nossos pecados. Ali onde o mundo nos condenaria, ele nos abraça, acolhe e perdoa…

Quando Jesus diz a Natanael de onde o conhecia, o jovem se espanta e faz uma profissão de fé: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” E Jesus replica, com leve ironia: “Verás coisas maiores que esta…”

Também nós, quando nos abandonamos ao Deus que nos conhece em nosso íntimo, também nós caminharemos de espanto em espanto, ao ver como a presença de Deus em nossa vida é real e atuante. Enquanto os poderes e as promessas deste mundo se revelam frágeis e enganosas, Deus permanecerá fiel.

Como é bom saber que existe alguém que nos conhece de verdade!

Orai sem cessar: “Sabeis tudo de mim!” (Sl 139,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.