Dois filhos… (Mt 21,28-32)

Não há filhos iguais. Cada um tem o seu jeitinho, suas tendências, seu temperamento. Seja como for, no entanto, o bom filho é sempre aquele que obedece. Ainda mais no contexto da sociedade dos hebreus, que haviam herdado do Sinai um mandamento especial, o único que trazia anexa uma promessa de Deus: “Honrarás teu pai e tua mãe, para que tenhas longa vida sobre a terra”.

Na parábola, o filho “rebelde” diz um não na cara do pai, mas se arrepende e obedece. O filho “ensaboado” diz rápido o seu sim, mas logo se vê que ele não tem nenhuma intenção de obedecer.

É bom notar que, na ordem do pai de família, há um advérbio especial: HOJE. “Filho, vai hoje trabalhar na minha vinha!” Podemos deduzir que era uma família abastada, onde os filhos, em circunstâncias normais, não tinham obrigação de realizar trabalho braçal. O exegeta J. Jeremias comenta que, quando a videira chega ao ponto ideal para a colheita, é preciso ser rápido, para evitar que uma noite fria de inverno reduza a taxa de açúcar da uva, o que impediria a fabricação de um bom vinho. Assim, estamos em uma situação de “urgência”, o que justifica a ordem incomum para os filhos, que deviam juntar-se à força de trabalho da fazenda.

Em nosso mundo, estaríamos também nós em situação de urgência? Há muitas crianças abandonadas pelas ruas? Há muitos jovens que crescem sem uma catequese adequada? Nossos velhinhos estão bem cuidados nos asilos? Que cuidados recebem os pequeninos nas creches? Nas paróquias, como anda o atendimento pastoral a nossos enfermos?

Pensando bem, pode ser que o Pai tenha pressa e precise – digamos, excepcionalmente… – do trabalho dos “filhos”.

Pode ser até que Ele esteja convocando mais mão de obra… Pode ser que Ele esteja apenas à espera de nosso sim…

Há muitas sociedades e organizações civis que trabalham na defesa e proteção do ambiente natural. Há ONGs dedicadas à alfabetização de adultos e à assistência médica às populações indígenas. Há associações de bairro lutando pela melhoria da infra-estrutura de sus comunidades. Em geral, fazem tudo isso por motivações cidadãs.

Alguém o faria por motivações cristãs. Só para agradar ao Pai?

Orai sem cessar: “Inclinai-me o coração às vossas ordens!” (Sl 119,36)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança