Dia 23 – Quinta-feira

Divina Misericórdia

Evangelho ( Lc 12,49-53)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
49“Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!
50Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra!
51Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão.
52Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três;
53ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.

Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

Meditando a Palavra

Vim trazer a divisão… (Lc 12,49-53)

Em tempo de conflitos motivados por diferenças religiosas, este Evangelho se mostra inteiramente atual: a pessoa de Jesus Cristo torna-se um divisor de águas. E de pessoas…

Quando Edith Stein [1891-1942] – judia, discípula de Husserl, primeira mulher a assumir uma cátedra universitária na Alemanha – deu o salto do ateísmo para o cristianismo, sua família a rejeitou, vendo-a como traidora da herança judaica. Curiosamente, foi na biblioteca de um casal amigo, cristãos protestantes, que Edith – hoje Santa Teresa Benedita da Cruz, carmelita – encontrara por acaso a autobiografia de Santa

Teresa de Ávila, onde ela percebeu pela primeira vez um lampejo da Verdade que é Cristo.
Neste início de Séc. XXI, permanece viva a profecia de Jesus: a passagem de um hindu ou muçulmano para o cristianismo chega a ser punida com a morte. De modo geral, o cristão é ali considerado como cidadão de segunda classe. Em especial nas comunidades islâmicas, a situação parece agravar-se com o tempo. A mídia deveria acentuar a diferença de atitudes, pois nenhum grupo cristão faz as mesmas ameaças a quem opta por trocar os Evangelhos pelo Alcorão…

Por outro lado, conheço situações em que um cristão foi considerado indesejável e logo expelido pelo ateísmo reinante entre nós. Amigo meu, engenheiro de uma empresa estatal em Belo Horizonte, foi demitido por ter pendurado um crucifixo na parede de sua sala. Outro amigo, na mesma cidade, sócio de uma escola particular, viu um dos sócios jogar na cesta de lixo a Bíblia que ele tinha sobre a mesa. Prof. Vicente recolheu sua Bíblia, esvaziou as gavetas e nunca mais pisou naquele colégio…

Santo Agostinho [354-430 d.C.] já havia traçado os limites entre as duas “cidades”: a cidade de Deus, edificada no amor, e a cidade do homem, alicerçada na cobiça. Jesus Cristo permanece acampado sobre os muros que as separam. E tudo indica que esse antagonismo se agravará sempre mais.

Edith Stein morreu nas câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau como outros milhões de judeus sacrificados pelo nazismo e pelo comunismo.

A proposta trazida por Jesus – um mundo de irmãos, filhos do mesmo Pai, dispostos a partilhar seus bens e seus dons – não interessa a nenhum totalitarismo. Entre estes, o totalitarismo do capital…

Orai sem cessar: “Por amor a meus irmãos, direi: ‘Paz para ti!’” (Sl 122,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.