25/05/2017 – Depois que a criança nasceu… (Jo 16,16-20)

Não me canso de admirar a maneira como Jesus ilustra seu ensinamento com as coisas do dia a dia. Nada de vocabulário teológico, sem termos técnicos nem eruditos. Diante da tristeza que invade os discípulos com o anúncio da iminente ausência do Mestre, este recorre à imagem do nascimento de uma criança: dói durante o parto, causa alegria depois…

Um pouco de tempo e não me vereis. Jesus vai morrer. Um pouco de tempo e vós me vereis. É a sua ressurreição. Então, calma! Precisam esperar pelo tempo… No primeiro momento, uma separação provisória. No segundo momento, um reencontro definitivo.

Nesta passagem, a palavra “tempo” vai e vem: um pouco de tempo e… um pouco de tempo e… Não é curioso que nosso destino eterno dependa do tempo? Não é espantoso que a salvação eterna dependa de uma graça distribuída no tempo? E que nossa eternidade seja determinada exatamente por escolhas temporais?

Aqui estamos nós, vivendo “durante” o parto. Não admira que doa! É um parto espiritual que inclui perseguições, calúnias, desprezo, insultos, zombarias, prejuízos materiais e, quem sabe, martírios. E nada de assumir o papel de vítimas, pois esta é a nossa condição de seguidores do Crucificado. A cruz é o nosso referencial. Nossa régua de medida.

Para Louis Bouyer, a alegria prometida não se reduz ao simples encontro com o Ressuscitado, mas inclui necessariamente o cumprimento da promessa do Paráclito. É em Pentecostes, na vinda do Espírito Santo, com vento e fogo, que a comunidade dos fiéis recebe o prometido dom da alegria e pode se rejubilar em Cristo.

Isto explica por que, mesmo perseguidos e expulsos da cidade, “os discípulos ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo” (At 13,52). Ou justifica ainda o imperativo paulino: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4)

Na vida espiritual, não existe cesariana. O parto é necessário. Se algum pregador está prometendo acabar com os sofrimentos de seus fiéis, podem chamar pelo PROCON: ele não tem esta mercadoria para entregar… Mas podemos ter a certeza de que, em nosso parto, Jesus será o obstetra perfeito…

Orai sem cessar: “Quem semeia entre lágrimas, colherá com alegria.” (Sl 126,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.