26/05/20015

Deixamos tudo… (Mc 10,28-31)

Jesus acaba de exagerar… Para expressar com clareza que o apego aos bens materiais impede o progresso espiritual, ele apelou para dois extremos: o maior animal daquela região (o camelo) e a menor passagem conhecida (o furo da agulha). Agora, era só juntar os dois: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”.

Todos se assustam. “Então, quem se salva? Ninguém?” Jesus reflete: “O que é impossível para os homens, é possível para Deus”. E Pedro resolve arriscar: “E nós… que deixamos tudo… e te seguimos?”

Ora, Pedro, faça-me o favor! Deixaram tudo?! Que foi que você deixou? A sogra velha e doente? Aquela barca velha e cansada, que fazia água quando o vento embravecia? Aquelas velhas redes, que vocês estavam remendando quando o Mestre os chamou? Aquele lago avarento, que vocês chamavam de mar e que deu peixes apenas três vezes em todo o Evangelho, exatamente quando Jesus fez três milagres? (Cf. Lc 5; Mt 17,26; Jo 21.)

Assim somos nós, tal como Pedro e seus companheiros. De que foi que abrimos mão para seguir a Jesus? Diplomas que mofam nas gavetas?

Empregos que uma recessão econômica pulveriza? Juras de amor que duram um verão? E são quinquilharias desse tipo que costumam impedir que sigamos o chamado de Deus!!!

Enquanto isso, imperturbável, Teresa de Ávila canta a meia voz:
Nada de perturbe,
nada te espante;
tudo passa,
Deus não muda.
A paciência
tudo alcança;
Quem a Deus tem,
nada lhe falta.
Só Deus basta.

Deus me basta? Preenche a minha vida? Ou ainda preciso de algo mais para ser feliz?

Orai sem cessar: “Põe tua esperança no Senhor!” (Sl 131,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.