Dar testemunho da Luz… (Jo 1,1-18)

João Batista, o precursor de Jesus, veio ao mundo com uma missão específica: apontar para o Cordeiro de Deus, o Cristo, e identificá-lo como o Messias esperado. E de fato, logo após reconhecer Jesus, às margens do Jordão, o Batizador é preso por Herodes e sai de cena para sempre. A figura de João Batista é habitualmente des-figurada, quando o veem como um lobo ululante a proferir maldições e ameaças. Ora, um homem que se alimenta de mel só pode proferir doçuras… Aquele que deve apontar o Cordeiro não pode uivar como um coiote do deserto, mas deve ser impregnado da mesma suavidade.

Nada disto, porém, impede que João (em hebraico, “Deus me fez graça” – reconhece Isabel!) realize sua tarefa: dar testemunho da Luz. Luz que é um dos nomes de Cristo: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 9,5). Assim o Batista prepara as veredas do Salvador e, ao mesmo tempo, nos ensina que todo evangelizador deve desempenhar o mesmo papel: abrir caminho para o Salvador.

O trabalho educativo dos pais é apontar para a luz. Insistentemente, sem cansaço, orientar os filhos. (Note que o verbo “orientar” liga-se ao Oriente, o lado de onde nasce o Sol!) Claro, isto supõe que os pais estejam “orientados”.

Que sua vida seja mergulhada na luz pascal de Cristo. Que os próprios pais não caminhem nas trevas do erro e nos atalhos do mundo pagão. Os filhos têm direito a ver a luz de Cristo refletida na face e nos gestos de seus pais…

A legião que perambula pela noite, sem rumo e direção, denuncia as trevas de seus lares. Ali, os pais não se reúnem para rezar, não buscam a graça dos sacramentos, não se alimentam da Palavra de Deus. Sem a luz diurna que emana do Ressuscitado, resta aos jovens o luar sombrio do néon, a luz negra das casas noturnas, as sombras dos becos e dos corações. Pobres filhos! Pobres pais! Cegos e guias de cegos! Fecharam os olhos à Fonte de Luz e vagueiam sem norte, sem ter aonde ir… A droga letal e o sexo sem amor são amargas compensações para quem não descobriu a Vida…

Mas no fundo da noite ainda brilha uma chama: é a Luz de Cristo, acesa na Vigília Pascal, que insiste em irradiar suas cintilações para todos os quadrantes. E nós, cristóforos – portadores de Cristo -, temos a missão de João: testemunhar diante do mundo que a Luz ainda brilha e quer iluminar as trevas de nossa sociedade.

Quando o faremos?

Orai sem cessar: “Em tua luz vemos a luz!” (Sl 36,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.