vida consagradaSeis meses após a sua criação, em Brasília, a Rede Eclesial da Pan-Amazônia, REPAM, se apresenta à imprensa, em Roma. Abrindo o encontro dos dias 2 e 3 de março, os Cardeais Cláudio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, e Peter Turkson, que dirige o Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, ilustrarão à imprensa os objetivos de atuação da Rede.

A Rede Pan-Amazônica nasce de uma ideia antiga do Cardeal Cláudio Hummes e de seu então colega argentino, Cardeal Jorge Bergoglio, diante da difícil questão da formação do clero para a Amazônia: dar um rosto mais amazônico à Igreja daquela região.

Em discurso feito logo após sua eleição como Pontífice, Bergoglio recomendou aos bispos do Brasil, no Rio de Janeiro: “Deveria ser mais incentivada e relançada a obra da Igreja na Amazônia. Fazem falta formadores qualificados, especialmente formadores e professores de teologia, para consolidar os resultados alcançados no campo da formação de um clero autóctone, inclusive para se ter sacerdotes adaptados às condições locais e consolidar por assim dizer o «rosto amazônico» da Igreja”. Francisco terminou pedindo o favor aos Bispos de serem corajosos”.

Maurizio Lopez é o Secretário-executivo da REPAM, e fará parte do grupo que estará na coletiva, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Ele nos explica de que forma a Rede pensa em atribuir à Igreja local um ‘rosto amazônico’.

“A carta pastoral da REPAM, o desafio de Dom Erwin Krautler com todos os presidentes e promotores da Rede, diz fatos concretos: muitos fiéis católicos em toda a Amazônia não têm nenhum acesso à comunhão semanal e aos serviços religiosos. Isto pode acontecer por meses, até anos. A perspectiva, agora, – e nisto o Papa Francisco abre novas portas – é algo que vem desde o Concílio Vaticano II e o desenvolvimento do magistério social na América Latina o aplicou muito bem. A partir das experiências do CELAM, sobretudo Medellin (68) e Barbados (72), a ideia de enculturação foi fortemente incrementada.

Com muita delicadeza, creio que diante da ausência de canais de acompanhamento direto, as Conferências Episcopais têm poucas ferramentas para atender às necessidades particulares destas realidades territoriais.

Às vezes, se procuram figuras muito urbanas, ou até mesmo ocidentais demais, para a formação dos agentes. Como resposta, a REPAM tem um mandato muito claro: as equipes itinerantes da Amazônia são uma das experiências mais fortes de visão antropológica, mas muito eclesial. Entender as realidades, escutar as histórias, acompanhar. As equipes se aproximam, pelos rios, destas realidades; ou seja, chegam de fato, ouvem seus relatos e de certa forma, constroem juntos um modelo pastoral adequado para estes povos. Isto requer uma capacidade teológica muito forte.

Em uma entrevista a Irmã Celestina dominicana responde como se vive a sua consagração na Amazônia. E ela responde: “irradiando o amor por Jesus, concretizando-o no amor aos mais pobres, na construção do Reino e no compromisso com a Justiça e a Paz”.

Fonte: Rádio Vaticano