2/09/2015 – Como uma oliveira verdejante… (Sl 51 [52])

Que belo símbolo é a oliveira, sinalizando a ventura daqueles que acolhem a vida de Deus! Árvore generosa, atravessa os séculos e as tempestades sem deixar de entregar seus frutos à moenda de azeite. Sua sombra acolhe os peregrinos. Foi no Horto das Oliveiras que Jesus se refugiou em sua agonia…

Foi também a oliveira a primeira árvore que sobreviveu ao Dilúvio: um de seus ramos verdes de esperança estava no bico da pomba que anunciava a vida nova (cf. Gn 8,11). Quando o Senhor Deus descreve a Terra Prometida (cf. Dt 8,8-9), ali aparece a oliveira, ao lado da vinha e da figueira. Sua madeira bendita foi utilizada na porta mais santa do Templo de Salomão (1Rs 6,31-32) e seu óleo alimentava o candelabro que devia arder perenemente na Tenda do Encontro (Lv 24,2-3).

Juntamente com a vinha – um ícone de Israel -, a oliveira traduz a fecundidade e a ventura da família do homem justo. Quando o Senhor quer elogiar Israel como a esposa da Aliança, falando através do profeta, chama seu povo de “oliveira verdejante carregada de soberbos frutos” (Jr 11,16).

Anunciando a regeneração de Israel com a vinda do Messias, Deus fala por Oseias: “Eu serei para Israel como o orvalho, ele vai florir como o lírio, afundará suas raízes como o carvalho do Líbano; seus brotos se estenderão e ele terá o esplendor da oliveira”. (Os 14,6-7)

O azeite que ela nos fornece é um dos símbolos do Espírito Santo, ao lado do fogo e da água, da pomba e do vento. Esse azeite pronto a arder nas trevas da noite separou as virgens sábias das virgens loucas, excluídas do banquete nupcial (Mt 25).

Na Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo também recorre à imagem da oliveira, tronco no qual nós, cristãos, fomos enxertados. Nós, comunidade cristã, ramos da oliveira selvagem (os que não eram povo de Deus), somos um enxerto que Deus-Agricultor realizou no tronco do Primeiro Israel para que tivéssemos acesso à seiva da vida.

Nosso Deus é um Agricultor que trabalha a terra de nosso coração. Lança incansavelmente suas sementes (Mt 13), à espera de frutos. Ele sabe que certas árvores – como a oliveira – levam muito tempo até a colheita. Mas sabe também que “mesmo na velhice darão frutos” (Sl 92,15) e muitos desfrutarão de sua colheita.

Os reis serão ungidos com seu azeite; os atletas, massageados; as feridas, suavizadas; a noite do lar, iluminada. Deus espera por nossos frutos, para que a humanidade tenha saúde e salvação…

Orai sem cessar: “Com óleo puríssimo me ungistes…” (Sl 92,11)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.