Como o fermento… (Mt 13,31-35)

Na sua infância, o menino terá observado muitas vezes o trabalho diário de Maria de Nazaré. Entre outros, amassar o pão. Teria o olhar do filho percebido a desproporção entre três medidas de farinha e pouco mais que uma pitada de fermento? A massa “dormia” durante a noite e, ao amanhecer, tinha fermentado e crescido. Que força era aquela, oculta, mas eficaz?

O menino cresceu. Tem a missão de anunciar o Reino de Deus aos homens. Como fazer para que eles percebam o mistério da ação de Deus nas singularidades de cada dia?

O menino crescido vai recorrer a várias imagens: a rede que traz os peixes do profundo das águas; a semente que germina no fundo da terra; a pérola escondida n seio das conchas marinhas. Em todas elas, uma constante: não percebemos o processo, só vemos as duas pontas: o início e o fim.

Desta vez, a imagem utilizada pelo Mestre é aquele fermento que sua Mãe misturava à farinha, pensando no pão para José, o artesão. Uma pequena porção, é verdade, mas portadora de notável dinamismo interior. Pequena, mas transformadora…

São João Crisóstomo falou sobre o tema: “Mesmo desaparecendo na massa, o fermento não perde sua força; ao contrário, ela a comunica pouco a pouco. A mesma coisa ocorrerá com a pregação evangélica. Por conseguinte, diz Jesus, se eu predisse a vocês numerosas provações, não se assustem com isso, pois é dessa maneira que brilhará vosso poder e ireis triunfar”.

De onde vem a força transformadora do Evangelho? O mesmo Doutor da Igreja responde: “É Cristo quem dá ao fermento o seu poder: ele mistura à multidão aqueles que nele têm fé, para que comuniquemos uns aos outros os nossos conhecimentos. Assim, não o reprovemos pelo pequeno número de seus discípulos, pois a força da pregação é grande. E quando a massa fermentou, ela não demora, por sua vez, a também tornar-se fermento”.

Ora, Jesus Cristo começou apenas com Doze. A massa tornou-se multidão em todo o planeta. “A fagulha transforma em braseiro os pedaços de lenha sobre os quais ela caiu. Estes gravetos comunicam a chama a outros; o mesmo ocorre com a pregação do Evangelho. O Senhor, porém, não fala de fogo, mas de fermento. Por quê? É que o fogo não faz tudo, também a madeira faz uma parte do trabalho! Aqui, ao contrário, o fermento faz tudo sozinho…”

Orai sem cessar: “Saciarei de pão os seus pobres!” (Sl 132,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.