Como o fermento… (Mt 13,24-42)

Os 30 anos de vida oculta em Nazaré devem ter deixado profundas impressões na alma de Jesus, criança e jovem. Entre tantas imagens ali gravadas, terá ficado a cena de cada anoitecer, quando Maria amassava o pão para o dia seguinte, com “três porções de farinha” (cf. Mt 13,33) e uma pitada de fermento. Ao amanhecer, a pequena quantidade de fermento fizera crescer a massa para alimentar a família.

São João Crisóstomo comenta esta imagem escolhida por Jesus para nos revelar os mistérios do Reino de Deus: “Tal como o fermento comunica sua força à massa da farinha, assim também vós transformareis o mundo inteiro. E não me objeteis: ‘Que podemos fazer nós, que somos apenas doze, atirados no meio de tão grande multidão?’

O que fará precisamente realçar a explosão de vosso poder, é que enfrentais a multidão sem jamais recuar. O fermento faz fermentar a massa quando o juntamos à farinha, e melhor ainda quando o misturamos por completo. Assim também o Salvador não diz que a mulher ‘colocou’ o fermento, mas que ela o ‘escondeu’ na farinha. Igualmente, quando vos misturardes, quando vos unirdes estreitamente aos vossos perseguidores, também vós o conseguireis.

Ao desaparecer por completo na massa, o fermento não perde sua força; ao contrário, ele a comunica pouco a pouco. Acontecerá a mesma coisa com a pregação evangélica. Por conseguinte, diz Jesus, se eu vos predisse numerosas provações, não fiqueis amedrontados, pois é dessa maneira que brilhará vossa força e triunfareis.

É Cristo quem dá ao fermento a sua força: ele mistura à multidão aqueles que creem nele, para que nós comuniquemos uns aos outros os nossos conhecimentos. Assim sendo, que ninguém o reprove pelo pequeno número de seus discípulos, pois é grande o poder da pregação. E quando a massa fermentou, não demora, por seu turno, a tornar-se fermento também ela.

A fagulha transforma em braseiro os gravetos sobre os quais ela cai. Estes pedaços comunicam a chama a outros; assim também acontece com a pregação evangélica. Entretanto, o Senhor não fala de fogo, mas de fermento. Por quê? É que o fogo não faz tudo; também a madeira faz uma parte do trabalho. Aqui, ao contrário, o fermento faz tudo por si mesmo.

Mas se doze homens bastaram para fazer fermentar a terra inteira, como nós somos maus, que não chegamos a abrir os olhos dos que ainda estão cegos, quando um tal número devia bastar para a conversão de milhares de mundos?!”

Orai sem cessar: “Anunciei com alegria na grande assembleia!” (Sl 40,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.