30/05/2015

Com que autoridade? (Mc 11,27-33)

Neste Evangelho, Jesus, o Filho de Deus, enfrenta o questionamento dos homens que dominavam o mundo religioso na Palestina dominada pelos romanos: sumos sacerdotes, escribas e anciãos. Não deixa de ser irônico que o interrogatório parta logo deles, guias espirituais que se haviam submetido à autoridade dos invasores pagãos…

O estopim que os pôs em movimento foi a recente atuação de Jesus (cf. Mc 11,15-18), ao expulsar do Templo os vendilhões que haviam degenerado em comércio o espaço sagrado do Senhor Yahweh. Nesta cena, eles esperam uma resposta de Jesus que lhes permita acusá-lo de irreligião ou blasfêmia. Trata-se de uma armadilha para Jesus. Vejamos o comentário de Jean Valette [1920-1999]:

“As duas pinças da armadilha estão garantidas aos olhos deles. Se Jesus não reivindica outra autoridade que a de um indivíduo isolado, o escândalo que ele provocou no Templo, expulsando os mercadores, apenas com a autoridade que ele mesmo se atribui, será suficiente para estabelecer o ato de acusação. Se Jesus vai mais longe e reivindica a única autoridade que possa justificar sua intervenção no Tempo – a autoridade do Messias -, se ele emite esta pretensão, a causa está julgada.”

Mas não terão a resposta que esperam. Ao responder, Jesus os interroga: “O batismo de João vinha de Deus ou dos homens?” Solidário com João, Jesus sabe que era a autoridade de Deus que estava sob o batismo pregado pelo Batista. Os homens do Templo ousariam confessá-lo?

Assim, a arapuca cai em cima daqueles que a tinham armado. Eles não tinham acolhido a mensagem de João Batista. Sua atitude negava o dedo de Deus nessa missão profética, mas o povo acolhera a mensagem e não havia como posicionar-se abertamente contra o povo.

Desta forma simples e direta, Jesus questiona a autoridade dos chefes e obriga-os, enquanto guias do povo, a confessar sua incapacidade de discernir qual seria a autoridade de João. Eles não têm autoridade para questionar autoridades…

Os donos do Templo não terão sua resposta – diz Valette. “Quer se trate de João ou de Jesus, a autoridade não se prova. Ou a acolhemos, ou a recusamos. E esta é a liberdade do Espírito.”

Orai sem cessar: “O poder pertence a Deus.” (Sl 62,11)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.