22/11/2018 – Chorou sobre ela… (Lc 19,41-44)

Qual é a nossa reação diante de um Deus-que-chora? Que sentimentos brotam em nós ao contemplar a cena das lágrimas de Jesus diante da cidade que ele tanto amava? Algo nos comove? Ou ainda permanecemos indiferentes à sua comoção?

Jerusalém – a Cidade da Paz, aquela cidade que inclui um shalom em seu nome – abrigava o Templo, a “casa de meu Pai” (cf. Lc 2,49), disse Jesus adolescente. Na visão judaica, era aquele o único lugar em todo planeta onde a presença de Deus se manifestava na Arca da Aliança, com seu triplo testemunho: as tábuas da Lei, a vara de Aarão e a amostra incorruptível do maná. O Monte Sião era o único espaço onde Deus podia ser adorado.

Em sua visão profética, no entanto, Jesus de Nazaré prevê a ruína da cidade que ele amava. Diante de seu olhar interior, o fogo vai destruindo os ricos ornatos do Templo, as grossas muralhas vão caindo por terra, os vasos sagrados são saqueados pela soldadesca romana. De fato, pouco depois de sua morte, no ano 70 d.C., as legiões de Tito, filho de Vespasiano, arrasariam Jerusalém, deixando de pé apenas um muro, onde hoje se lamentam os judeus ortodoxos.

Que teria cegado os olhos de Jerusalém? Por que não tomara consciência do tempo de sua visitação? Mistérios de Deus… A mesma cidade, que era alvo de um amor de predileção, conhecerá o impacto do ódio destruidor. O tempo dela tinha passado…

Hoje, nós somos Jerusalém. O novo Israel, o Povo de Deus que é a Igreja, também recebe do Senhor um amor de predileção, que deve ser correspondido com um amor de juventude (cf. Jr 2,2). Enquanto correm os séculos e a areia escorre na ampulheta, temos tempo para amar e corresponder a Deus.

Mas o tempo vai passar. Exatamente por ser “tempo”, história, ele é finito e cederá lugar ao eterno. Enquanto há tempo, tudo é possível. Findo o tempo, congela-se a imagem da história, e nada mais pode ser mudado. Mergulhados no tempo, todos nós somos capazes de (co)rresponder ao Amor infinito que O Senhor derrama sobre nós.

Até quando teremos tempo? Quando virá o Senhor? Quando soará a trombeta que anuncia o fim da história?

Não o sabemos. Daí a urgência de amar. A premência de acolher o Visitante que se aproxima em seu advento sempre renovado. E se o acolhemos entre nós, mentes abertas, corações amantes, Jesus não precisará chorar outra vez…

Orai sem cessar: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.