Cheia de graça! (Lc 1,26-38)

É assim que o Anjo Gabriel se dirige à Virgem de Nazaré. A expressão original de São Lucas (em grego: “kecharitoméne”) faz referência a uma graça recebida em plenitude, desde o passado e de modo definitivo. Fala de uma “presença ativa” de Deus na pessoa e na vida de Maria. Afinal, ela fora escolhida para ser a Mãe do Salvador!

Hoje, celebramos N. Sra. Rainha. Mesmo que o tempo da monarquia tenha passado, o povo simples quer que ela reine em suas vidas, ao lado do Rei Jesus. Sim, a Mãe do Rei é Rainha. Alguns recusam tais termos, porque só pensam no absolutismo do poder real, mas não se lembram do cuidado, do zelo e da dedicação do Rei por seu povo.

Continuemos invocando nossa Rainha, como faço em um de meus poemas – “Cheia de Graça”:

Ainda é noite. Há escuridão lá fora
E a tempestade os páramos perpassa…
Acendo a vela e clamo sem demora:
– Cheia de Graça!

Dentro do peito, a angústia me devora…
A treva densa o coração amassa…
Maria vem e prenuncia a Aurora:
– Cheia de Graça!

Ruge o leão e o medo me apavora,
Seu hálito de fel o olhar me embaça!
Em grito um Nome e o mal se vai embora:
– Cheia de Graça!

Se a morte vem e a face me descora,
O alfanje armado em sua eterna caça,
Invoco lá do céu minha Senhora:
– Cheia de Graça!

 

Orai sem cessar: “Ave, Maria, cheia de graça!”

Texto e poema de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.