Celebração da esperança: FINADOS

Celebramos neste dia 02 de novembro a memória dos fieis defuntos. A Igreja convida os fieis, através desta solenidade, a renovar a esperança na ressurreição dos mortos. Neste sentido, não celebramos a morte; reconhecemos a sua existência como fim da nossa experiência terrena, mas não como fim último. Para os que crêem na eternidade, a morte é a porta de entrada para a vida eterna. Santa Terezinha, numa profunda demonstração de fé na ressurreição, diz o seguinte: “não morro, entro para a vida”. Portanto, na perspectiva cristã, morrer não é fim, mas sim começo. Santo Agostinho diz que: “contemplar o rosto de Deus é sinal de estar na pátria definitiva.” Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, ao falecer, teria dito aos filhos que a acompanhavam: “ponde meu corpo em qualquer lugar e não vos preocupeis com ele. Só vos peço que no altar de Deus vos lembreis de mim, onde quer que estiverdes”. Estes são testemunhos daqueles que já passaram por esta vida e que alimentaram sua esperança na certeza deste encontro definitivo com o Senhor! A liturgia desta celebração apresenta uma verdadeira catequese a respeito da esperança na ressurreição. São Paulo, na carta aos tessalonicenses, faz uma exortação que fundamenta esta esperança na ressurreição dos mortos. Diz o apostolo: “Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os que não têm ESPERANÇA. Se Cisto ressuscitou, e esta é a nossa fé, de modo semelhante Deus trará de volta, com o Cristo, os que através dele entraram no sono da morte”. (1 Ts 4, 13-14) Por fim, meus irmãos, a morte...

Mês das missões 2018

Queridos irmãos, a igreja nos convida, de modo especial em outubro, a refletir sobre as missões. Celebramos neste mês Santa Terezinha, padroeira das missões. Celebramos também a festa da Padroeira do Brasil: Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Lembramos ainda o Rosário e a Campanha Missionária, realizada em todas as dioceses do Brasil. Portanto, um mês rico em se tratando de reflexão missionária. Este ano de 2018, o tema escolhido pelas Pontifícias Obras Missionarias traz um apelo para construção da paz: “Enviados para testemunhar o Evangelho da Paz”. A proposta é de estabelecer vínculos, a partir do Evangelho, para construção da verdadeira Paz. A Igreja está inserida na sociedade e, como tal, deve interagir na formação dos cristãos e pessoas de boa vontade estimulando-os na elaboração de um projeto de paz. O mês missionário nos lembra ainda que a missão deve levar-nos ao serviço: “Eu vim para servir”, diz Jesus aos discípulos. Portanto, a Igreja, como servidora do Evangelho, deve apresentar aos fiéis uma mensagem de incentivo a paz, principalmente aos irmãos mais afetados por situações que negam este direito a vida humana, a paz! No evangelho de São Marcos, Jesus vai definir a missão como Serviço: “Quem quiser ser o primeiro, seja servo de todos” (Mc 10,44). Neste caso, a condição estabelecida por Jesus para participar da missão do Reino e ser discípulo é a disposição para servir. Por isto, a palavra “missão” esta intimamente associada ao serviço. O Papa Francisco tem insistido muito num perfil de Igreja missionária, uma Igreja serva, capaz de se deslocar em direção aos mais pobres. Uma Igreja “em saída”, diz o papa. Ou...

Vocação: uma convocação de Deus a cada pessoa

Tradicionalmente, na Igreja Católica, agosto é conhecido como o mês das vocações. A Igreja no Brasil celebra e reflete sobre as vocações a cada semana: sacerdotais, religiosas, as vocações das famílias, dos leigos e catequistas. A Igreja nos ajuda a entender que vocação, em sentido mais preciso, é um chamamento, um convite especial de Deus. Uma convocação vinda diretamente sobre cada pessoa. O chamado tem como centro a pessoa de Jesus, é Ele que tem a iniciativa do chamado: “enquanto caminhava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse para ele: Siga-me (cf. Mc 2,14). Portanto, a vocação nos diz que anterior a nós há um chamado, um apelo divino que vem de Jesus Cristo, a quem seguimos com total empenho, como afirma São Paulo na Carta aos Romanos: “Eu, Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho de Deus.” (Rom 1, 1). Podemos entender a vocação como um diálogo; Deus chama e nós respondemos. Este diálogo pressupõe sintonia com o Senhor, é o amor divino que vem até nós em busca de uma generosa resposta de entrega e doação. Sendo assim, é bom que se perceba que nem a percepção do chamado, nem a resposta a ele, são tão fáceis e tão “naturais”. Exigem afinação ao divino e entrega de si mesmo; sem estes pressupostos, não há vocação verdadeira e real. Neste mesmo mês celebramos também a semana nacional da família. A vocação está intimamente ligada à família, torna-se quase impossível refletir sobre o chamado de Deus sem destacar o papel importante da família. “Esta pequena célula, conhecida...

Maria modelo de consagração

A piedade popular sempre nutriu por Maria uma imensa veneração. A sua imagem foi sempre concebida no imaginário popular, como a mulher que mais se aproximou de Deus. Não é a toa que vamos encontrar nos “escritos apócrifos”, que ela teria permanecido no templo dos três aos doze anos, aos cuidados das virgens que teciam o grande véu do templo. Na historia da salvação, o templo foi sempre o lugar onde habitava Deus, portanto, podemos dizer que Maria habitava intimamente com o Senhor. Na perspectiva desses escritos, este tempo de permanência de Maria no interior templo, foi exatamente o de consagração a Deus. Quais são as implicações dessa consagração de Maria, e daqueles que se dispõe a se consagrarem a Deus? Destacamos duas características: a disponibilidade e a gratuidade. Na vida de Maria a disponibilidade se torna célebre no encontro com a sua prima Isabel, quando a socorre em condições de extrema necessidade. Mas também nos momentos difíceis da vida de seu filho Jesus. Não lhe faltou esperança para ser solidária. Ela sempre se fez presente como serva fiel. Outra característica marcante desta serva de Deus foi a gratuidade. Em Maria, se percebe todo desprendimento para servir. A gratuidade foi um sinal de sua adesão ao projeto de Deus. Por isto, quando alguém se consagra – entende-se aqui todo batizado – deve-se ter a consciência de que a vida em Deus, se caracteriza pelo testemunho do serviço sem nenhuma exigência. Esta pessoa não faz outra coisa, senão ser serva de Deus, estar sempre à disposição do Senhor. O que se consagra não deve trabalhar para Deus em função de...