Como um grão de mostarda… (Mt 13,31-35)

Como um grão de mostarda… (Mt 13,31-35) Duvido que, algum dia, Herodes tenha-se ocupado com um mísero grão de mostarda! Duvido que o governador Pôncio Pilatos tenha dedicado alguns minutos a contemplar os lírios do campo que se espalhavam pelo semiárido… Os poderosos deste mundo não perdem seu tempo com essas ninharias… Mas o olhar de Jesus percebe o valor das coisas pequenas, ele pressente o seu mistério, lê seu sentido profundo. Mesmo que sejam pardais nos arvoredos, mulheres do povo amassando pão, pescadores lançando a tarrafa! É das coisas mais simples e triviais que o Mestre extrai o ensinamento de sua doutrina. Foi assim com a aproximação que Jesus fez entre um grão de mostarda e o Reino dos céus. Eis o comentário de Lev Gillet: “Nós atenuamos esta parábola, nós a enfraquecemos, nós a esvaziamos de seu ‘maximalismo’ quando pensamos no grão de mostarda simplesmente como uma pequena planta capaz de considerável crescimento. E a reduzimos a uma banalidade, uma platitude, se a mensagem que dela extraímos é alguma coisa como: ‘aquilo que é grande, primeiro foi pequeno’”. – “Mestre – prossegue o comentarista -, tu não disseste que a mostarda é uma plantinha que se torna grande. Tu disseste que ela se torna maior que as hortaliças, que ela se torna uma árvore. ‘Uma árvore’, isto é, uma estrutura que, na concepção e na linguagem comuns (senão na estrita verdade botânica) é completamente diferente de uma planta. E não somente ‘uma árvore’, mas uma árvore tal, que ‘os pássaros do céu vêm habitar em seus ramos’ (Mt 13,32).” “Tu empregaste um superlativo. E aí está, Senhor,...

Ovelhas sem pastor… (Mc 6,30-34)

Ovelhas sem pastor… (Mc 6,30-34) Este Evangelho realça mais uma vez o sentimento de Jesus diante das multidões que acorriam à sua procura, o mesmo sentimento ainda mais destacado no Evangelho de São Lucas: a compaixão. Um movimento da alma geralmente designado pelo verbo grego [splagchnizomai] que conota uma reação visceral, hoje diríamos “psicossomática”. O Antigo Testamento já fazia referência ao abandono do povo por seus dirigentes, tanto políticos quanto espirituais, como na passagem de Jeremias 10,21, que denuncia “pastores que deixaram de procurar o Senhor e por isso são incapazes de governar”, com a consequente dispersão do rebanho. O profeta Isaías 40,11 traz a promessa do Messias que vem “qual pastor que cuida com carinho do rebanho, nos braços apanha os cordeirinhos, para levá-los ao colo”. É exatamente assim que a Jesus aparece, no Evangelho – diz Hans Urs von Balthasar – a multidão que se reúne à sua volta. “Nele, as pessoas sentem instintivamente o bom pastor enviado por Deus, que não quer exercer seu poder sobre elas, mas as reúne e cuida delas por si mesmas. Os poderosos já as dominaram o suficiente, assírios, babilônios, persas, gregos, romanos, para os quais o povo era somente certa massa ignorante “nascida inteiramente no pecado” (cf. Jo 9,34).” Este Evangelho mostra-nos Jesus dividido entre a necessidade de repouso e as exigências da multidão, que não lhe permite sequer o tempo para as refeições (cf. Mc 6,31b). “Ele acabará por oferecer a si mesmo em alimento para esses famintos. Ele não está ali para descansar, mas para deixar-se usar até o fim. ‘Eu dou a minha vida pelas minhas ovelhas’....

Nota de Falecimento

“combati o bom combate, completei a corrida e guardei a fé”. Com muito pesar, comunicamos o falecimento do Senhor Manoel Ferreira dos Santos, pai do Monsenhor Manoel, vítima de um acidente próximo à Sorocaba, interior de São Paulo. Ao nosso confrade, padre Manoel e seus familiares, os nossos sentimentos e oração. Na certeza da ressurreição, peço que todos rezem por este nosso irmão. Pe. Edvaldo Rosa de Mendonça,...

Padre Humberto Capobianco MSC 60 anos de Sacerdócio

Padre Humberto comemora hoje (22/06/18) seu Jubileu de Diamante sacerdotal e também seu aniversário natalício. Duas comemorações em um só dia, desde aquele 22 de junho de 1958. Os Missionários do Sagrado Coração do Brasil em geral e da Província de São Paulo em particular se rejubilam, com toda razão. Sou daqueles que defendem as homenagens principalmente enquanto o homenageado pode recebê-las. Por isso aproveito a ocasião para render Graças a Deus por esse sacerdote que tanto nos dignifica como família religiosa. A sua longevidade profícua e seu serviço à Igreja e à Congregação são sinais de que sua vocação é um exemplo de assimilação da vontade de Deus em sua vida, sobretudo pela sua entrega a uma constante e fiel vida de oração. Pe. Humberto é um confrade reconhecido por todos como emblemático. Desde o início de seu presbiterato até os dias de hoje, coloca seus dons a serviço das missões a ele confiadas. Formador de inúmeras gerações de MSC, seja na filosofia, seja como mestre de noviços, deixou sua marca em seus formandos, muitos deles hoje seus confrades, alegram-se com o seu Jubileu. Dedicado a vida provincial, sua presença a frente de nossos colégios atrai sobre ele inúmeros reconhecimentos. Homem de alta cultura, teólogo refinado com mestrado em Mariologia. Escritor e articulista objetivo e pontual, sempre deixou-se envolver com a vida de nossa província, liderando-a inclusive, nos anos em que foi Provincial. Como bom mineiro é discreto, de humor sempre oportuno, e sobretudo um homem de vida simples e hábitos frugais. Um MSC com os predicados que são necessários a um filho de Julio Chevalier. Um homem...

Ordenação Diaconal e 20º ano da Missão MSC em São Gabriel da Cachoeira

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS Ordenação diaconal do Fr José Marcos do Amaral, mSC, São Gabriel da Cachoeira, 08-06-2018 Caríssimos Pe Edvaldo e Missionários do Sagrado Coração, estimados Presbíteros, Irmãos e Irmãs da Vida Consagrada, querido povo santo fiel de Deus! A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é por excelência o símbolo da compaixão e da misericórdia de Deus. Mas, não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte de onde jorra a salvação para toda a humanidade. 1 – Nos Evangelhos encontramos várias referências ao Coração de Jesus, por exemplo, na passagem onde o Senhor mesmo diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados ​​e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração “(Mt 11, 28-29). Mas, hoje o nosso olhar se volta novamente para a cruz, concentra-se no Crucificado e acaba atraído pelo lado aberto pela lança, o Coração de Jesus. O evangelista João de fato testemunha o que viu no Calvário, ou seja, que um soldado, quando Jesus já estava morto, perfurou o seu lado com a lança e daquela ferida saiu sangue e água (cf. Jo 19, 33-34). “Aqui acontece a suprema epifania da quénose do Filho, epifania do Amor que se doa sem nada pedir em troca. Nada mais alto do que o abaixamento da cruz, porque lá se atinge a altura máxima do amor” (Papa Francisco). O coração aberto de Jesus é o sinal de um Deus que nos ama até o derramamento da última...

Corpus Christi

Sem moralismo, sem crítica pela crítica ou discursos amargurados de ataque a qualquer mentalidade que seja. É apenas a partilha de um olhar… Creio ser impossível a gente, observando os contrastes de uma cidade como São Paulo, ficar indiferente a uma cena dessas. Um Corpo no ostensório, o mesmo Corpo, caído na rua. O mesmo? Sim… leia Mt 25 que você entenderá. Cremos que a Eucaristia atualiza a obra salvadora da Cruz. Nas mesas da Palavra e do Pão consagrado aprendemos a lição de se entregar pelos outros como alimento. Ser sustento e alegria para os outros. Ser para os outros. Isso é Páscoa: é Cruz, porque servir os outros não é fácil, mas é também Ressurreição, porque há alegria e sentido. Eucaristia e amor, rimam. “Não há prova de amor maior que dar a vida”… “este é o meu mandamento, amem-se como eu amei vocês”… “façam isto em memória de mim”… “Fazer”… não disse “meditem em minha memória”, embora contemplar também seja fundamental. Mas aqui trata-se de atuar. Agir. Mas como? E com que qualidade? Sem ser algo sazonal, mas contínuo, eficaz, irrestrito. Como fazer no imediato do que a gente vê e também num campo mais amplo, onde os nossos braços não chegam… como fazer a forma mais alta de caridade, que é a política? A Paixão do Senhor continua. A ferida está aberta, sangrando. Há pressa! O corpo de Cristo, quando profanado nos nossos sacrários e jogado ao chão nos fere. Choca. Exige reparação. E o Corpo de Cristo jogado ao chão de nossas ruas em cada sofredor?… que reparação lhe damos? Paixão que se atualiza....