Casa de oração… (Lc 19,45-48)

O Evangelho manifesta o zelo de Jesus pela Casa do Pai e sua percepção do caráter “sagrado” do ambiente do Templo. Sua acusação contra os profanadores é acentuada pelo contraste das duas definições: casa de oração X antro de salteadores! Boa ocasião para refletir sobre nossa atitude em nossos templos. Ainda mais nas igrejas católicas, onde a presença eucarística – Jesus vivo nas espécies consagradas! – exige muito mais respeito, veneração, adoração. Muito além da “função” do edifício consagrado a Deus, é a “presença real” do Senhor que questiona nossas atitudes na igreja, o modo de vestir, o repertório musical e o modo de executar os instrumentos.

Óbvio, nem tudo vai bem. Roupas pouco decentes, chicletes colados aos bancos, clima de bate-papo descontraído, canções profanas no culto divino, o “Tema de Lara” (a música-tema da concubina, no filme “O Doutor Jivago”) em pleno matrimônio cristão, como fundo para a entrada da noiva, além da bateria espalhafatosa, que impede a interiorização e a intimidade com Deus, e os “bailes cristãos” no mesmo espaço da celebração eucarística…

A “Congregação para o Culto Divino” (1987) lembra a finalidade do espaço sagrado: “Desde a antiguidade, se chamou igreja o edifício em que a comunidade cristã se reúne para escutar a palavra de Deus, para orar unida, para receber os sacramentos e para celebrar a Eucaristia, e para a adorar nele como sacramento permanente.” […] “As igrejas não podem ser consideradas como simples lugares públicos, disponíveis para qualquer tipo de reuniões. São lugares sagrados, isto é, separados, destinados de modo permanente ao culto de Deus, desde o momento de sua dedicação ou da bênção.” Os templos são “sinais da Igreja peregrina aqui na terra, imagens que anunciam a Jerusalém celestial, lugares em que se atualiza o mistério da comunhão de Deus com os homens, sinal da permanência de Deus entre nós”.

Daí, a advertência: “Quando as igrejas são utilizadas para outras finalidades diversas da própria, põe-se em perigo a sua característica de sinal do mistério cristão, com consequências negativas, mais ou menos graves, para a pedagogia da fé e a sensibilidade do povo de Deus, tal como recorda a palavra do Senhor: ‘A minha casa será casa de oração’ (Lc 19,46)”.

Quem nos vê na igreja, sabe que Deus está presente?

Orai sem cessar: “Louvai a Deus no seu santuário!” (Sl 150,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança