Brilhe a vossa luz! (Mt 5,13-16)

O discípulo é iluminado por Jesus. Aliás, os primeiros cristãos chamavam o Batismo de “iluminação”. Quando Jesus diz que os discípulos são a “luz do mundo” (Mt 5,14), atribui a eles uma definição que aplicaria a si mesmo: “Eu sou a luz do mundo” (cf. Jo 9,5). Mas essa luz deve brilhar diante dos homens, condição para que Deus seja glorificado quando as boas obras dos fiéis vierem à luz. Exemplo claro de tudo isto nós presenciamos com a morte de João Paulo II, quando o reconhecimento universal de sua santidade manifestou-se em louvor e ação de graças ao Senhor.

O Mestre nos alerta para um risco a ser evitado: acender a candeia e, a seguir, deixá-la debaixo do alqueire. O “alqueire” não é um “caixote”, como traduziu com humor certo folheto de missa, recentemente. Alqueire era, na Palestina antiga, uma medida para cereais, algo como um grande pote de barro, cuja capacidade não foi possível determinar.

Na sua infância, em Nazaré, quando a Sagrada Família se preparava para dormir, Jesus via que Maria cobria com um pote de barro a lamparina de azeite. Se soprasse a chama, mesmo torcendo o pavio com os dedos (como faziam os sacristãos de antanho), a pequena casa seria invadida pelo cheiro acre de coisa queimada. Cobrindo a chama com o pote, logo ficaria sem o oxigênio e se apagaria, sem empestar o ambiente… Desde a infância, Jesus deve ter pensado em sua missão, refletindo: “Jamais apagarei a chama que ainda fumega”. Isto é, sempre darei mais uma oportunidade ao pecador, à mulher hesitante, ao homem fraco. Isto ajuda a entender sua relação com Judas…

A luz que brilha sobre o candelabro é o cristão que dá testemunho de sua fé por meio de uma vida coerente com a crença que alega ter. A filha que cuida com amor da mãe entrevada, o filho que sustenta o velho pai, a mãe que se desgasta na educação dos filhos, as mãos calejadas do trabalhador – tudo isto são lampejos de luz para clarear um mundo de trevas. Este agir luminoso é o remédio para o egoísmo, para o utilitarismo, para a autopromoção, para a indiferença.

O Concílio Vaticano II reconhece que “a luz do mundo” é Cristo (cf. LG, 1). Mas a Igreja deve ser uma “casa iluminada”: de suas janelas abertas para o mundo, o brilho dos fiéis espanta as trevas do planeta.

Sou luz? Ou espalho as trevas à minha volta?

Orai sem cessar: “O Senhor é minha luz e minha salvação!” (Sl 27,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.