Oração
Nem sempre é muito bom rezar, essa é uma verdade que em algum momento já sentimos pessoalmente, embora essa afirmação não queira dizer que a oração não seja uma necessidade intrínseca do ser humano. Muito mais que uma importância ela é uma necessidade salutar.
Lembro-me bem que quando eu era criança minha mãe sempre me dizia que a gente não come somente daquilo que gosta. Hoje entendo que ela queria me dizer, ou ensinar, que mesmo não gostando de determinado alimento ele era mesmo assim necessário para a minha saúde e para o meu bom desenvolvimento. Para o Cristão isso não é diferente no que concerne à prática da oração. Mesmo que estejamos desanimados, preguiçosos ou que a oração nos pareça sem sabor, não podemos nos esquecer que é ela que nos coloca na íntima união com Deus.
Um padre chamado Carlos Rafael Cabarrús diz que “a oração é uma embaixada de Deus”, ou seja, ela abre um espaço, um território dentro do coração humano onde Deus pode agir livremente e sem ser invasor.
Quando o nosso espírito se abre para rezar nosso ser se revela a Deus e conseqüentemente Deus se revela a nós tal como ele é: graça, consolo, alegria, conforto, cura... Ele incute em nós o seu verdadeiro valor, a sua essência vital e, por esta expressão íntima, nos assemelhamos a ele.
São muitas as formas de rezar, mas às vezes nenhuma das técnicas que estamos acostumados a usar permite que façamos uma profunda experiência ou pelo menos como gostaríamos. Em alguns momentos o vazio interior é maior, sentimos uma espécie de secura e o que nos sobra é apenas o silêncio. Pode ser esta, portanto, a nossa oração mais fecunda, a oração do abandono. Quando acaba a nossa eloqüência, sobra-nos o abandono e então surge o espaço onde Deus nos encontra desarmados de nossas palavras e pode assim falar e se revelar em nós.
A oração é uma postura de vida e uma resposta às nossas inquietações. É a expressão do nosso amor a Deus e de Deus que nos ama. A oração verdadeira é o encontro da nossa intimidade com a intimidade de Deus, é o que nos mantém em discernimento diante das apresentações deste mundo tão intenso e cheio de exigências. Ela é o que dá coerência à vida do cristão.