O PRIMEIRO OLHAR
É de estranheza. Tudo me parece muito estranho. Ainta que a tal globalização tenha feito muita coisa diferente parecer igual, o primeiro olhar se dá conta de que não estou no meu lugar. As pessoas, a arquitetura, a paisagem, a natureza, o clima, tudo é novo, é diferente. Serão meses, talvez anos para que o olhar se acostume, para que a mente processe que eu não estou no meu país, nem com a minha gente. Vou ter que extrair forças de onde não parece haver. É tirar leite de pedras.

Mas o meu olhar não é de um exilado ou de um deportado, e sim de um batizado que pela teimosia de Deus se fez missionário. O primeiro olhar aprisionado nas coisas que conhecia vai dando lugar ao olhar extasiado, deslumbrado pelas novidades. (Quando entrei para o seminário dos MSC, alimentava ainda que escondidamente, um desejo de ir para missão fora do Brasil. Pensava na África. Quase todo mundo pensa em missão na África)
O tempo foi passando. Vieram outros desejos. Projetos pessoais e grupais. Vieram a consagração, a ordenação, as nomeações de lá pra cá e de cá pra lá. Quando assustei veio o convite para ir ao Equador. Mas não era África? E depois, sair pra quê? Eu já era um expert em missão. Tinha mestrado em missiologia, livro publicado.
E o meu olhar se deparou com um recomeço. No inicio era de estranheza. Depois foi se deslumbrando com a novidade. O primeiro olhar agora já são muitos. Antes eu estudava missão. Escrevi, dei palestras. Agora começo, a saber, o que é realmente missão. Agora eu vejo não a partir do que me ensinaram. Vejo com olhar de quem aprende vendo o diferente e só assim se dá conta de que o olhar pode ser também o lugar do amor. Do amor de quem viu e que acabou gostando.
O Pe. Alex, MSC, é missionário no Equador e escreve nesta coluna quinzenalmente.