Mês das missões 2018

Queridos irmãos, a igreja nos convida, de modo especial em outubro, a refletir sobre as missões. Celebramos neste mês Santa Terezinha, padroeira das missões. Celebramos também a festa da Padroeira do Brasil: Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Lembramos ainda o Rosário e a Campanha Missionária, realizada em todas as dioceses do Brasil. Portanto, um mês rico em se tratando de reflexão missionária. Este ano de 2018, o tema escolhido pelas Pontifícias Obras Missionarias traz um apelo para construção da paz: “Enviados para testemunhar o Evangelho da Paz”. A proposta é de estabelecer vínculos, a partir do Evangelho, para construção da verdadeira Paz. A Igreja está inserida na sociedade e, como tal, deve interagir na formação dos cristãos e pessoas de boa vontade estimulando-os na elaboração de um projeto de paz. O mês missionário nos lembra ainda que a missão deve levar-nos ao serviço: “Eu vim para servir”, diz Jesus aos discípulos. Portanto, a Igreja, como servidora do Evangelho, deve apresentar aos fiéis uma mensagem de incentivo a paz, principalmente aos irmãos mais afetados por situações que negam este direito a vida humana, a paz! No evangelho de São Marcos, Jesus vai definir a missão como Serviço: “Quem quiser ser o primeiro, seja servo de todos” (Mc 10,44). Neste caso, a condição estabelecida por Jesus para participar da missão do Reino e ser discípulo é a disposição para servir. Por isto, a palavra “missão” esta intimamente associada ao serviço. O Papa Francisco tem insistido muito num perfil de Igreja missionária, uma Igreja serva, capaz de se deslocar em direção aos mais pobres. Uma Igreja “em saída”, diz o papa. Ou...

“Ao Papa com carinho”, por Dom Antônio Carlos Cruz Santos

Meus primeiros contatos com Francisco Como fui tomando consciência da existência do Cardeal Jorge Mario Bergoglio, que se tornaria em 2013 o papa Francisco? A primeira vez que ouvi falar do seu nome foi em abril de 2005. Naquela época eu era mestre de noviços em Pirassununga, interior de S. Paulo, e fazia acompanhamento espiritual em Itaici com o jesuíta Pe. Quevedinho. No final do nosso acompanhamento espiritual começamos a conversar sobre o conclave que se preparava para eleger o sucessor do papa João Paulo II, que havia falecido no dia 2 de abril. Depois de um longo pontificado (1978 a 2005) lhe perguntava quem poderia ser o sucessor daquele papa que teve o terceiro mais longo pontificado da história. Pe. Quevedinho me dizia que entre os nomes se falava de um confrade amigo seu que era cardeal em Buenos Aires, mas ao mesmo tempo declarava que ele não aguentaria a estrutura de Vaticano, pois seu amigo era um pastor. Nem guardei o nome do cardeal, mas voltei para casa com a sensação de desconforto por reconhecer que uma estrutura que foi criada para ajudar poderia matar um pastor. No dia 19 daquele mesmo mês era eleito o papa Bento XVI. Volto novamente a ouvir falar do cardeal Bergoglio em 2007, quando foi eleito presidente da Comissão de Redação da Conferência de Aparecida. Também ocupou lugar de destaque no Sínodo de 2012, que teve como tema: A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã. Por fim, no dia 13/03/2013 foi eleito papa, assumindo o nome de Francisco, diante da provocação do cardeal brasileiro Dom Claudio Hummes: “não se...

Sei quem tu és! (Lc 4,31-37)

4/09/2018 – Sei quem tu és! (Lc 4,31-37) Esta frase, no Evangelho de hoje, sai exatamente da boca de um demônio. Devíamos espantar-nos com isto: o próprio espírito mau reconhece a divindade Jesus Cristo: “Sei quem tu és: o Santo de Deus!” São Tiago o confirmará, ao dizer: “Crês que há um só Deus? Fazes bem. Também os demônios creem e temem”. (Tg 2,19.) Se o apóstolo queria dizer que a fé que se proclama deve ser acompanhada de obras em coerência com a fé, também podemos concluir que é preciso mais do que “crer” em Jesus: é preciso amá-lo, e não viver a combatê-lo, como fazem os demônios… O verdadeiro ato de fé acaba coroado por uma entrega a Deus, por um compromisso de vida na difusão da Boa Nova, por uma vida posta sobre o altar, quando nós nos tornamos hóstias vivas em unidade com o Cordeiro pascal. Até lá, nossa fé permanece como uma espécie de noção intelectual, um abstrato exercício da mente. Mas ainda lhe falta algo de essencial para se transformar em vida cristã… A palavra “fé” (do latim, fides) é inseparável da “fidelidade”. O verdadeiro crente é um “fiel”. Significa isto que ele empenha a palavra – uma espécie de juramento ou profissão pública –, mas também empenha a vida, subindo ao patamar do testemunho (ou seja: mártir). Neste sentido é que os primeiros cristãos, ao pedirem o Batismo, já se declaravam prontos para o martírio! Voltando à frase do espírito mau, não seria imprópio avaliar que ele tivesse alguma dúvida a respeito da verdadeira identidade de Cristo, enquanto Filho de Deus, e...

Aos pobres me enviou! (Lc 4,16-30)

3/09/2018 – Aos pobres me enviou! (Lc 4,16-30) Desde o Antigo Testamento, as promessas falavam de um Messias que seria enviado aos pobres, acudindo aos órfãos, às viúvas e ao estrangeiro (cf. Is 1,17; 66,2; Os 14,3). Neste Evangelho, Jesus de Nazaré acaba de anunciar a seus compatriotas que chegou o “ano da graça do Senhor”, oferecido “de graça” aos pobres de Yahweh. Em lugar de júbilo e alegria, a reação de seus ouvintes é de ira e furor. Certamente, não se sentem pobres. Não era para eles a antiga profecia… As promessas falavam de um Messias que seria enviado aos pobres, acudindo aos órfãos, às viúvas e ao estrangeiro (cf. Is 1,17; 66, 2; Os 14,3). No entanto, quando se anuncia a ternura de Deus pelos pobres, até a classe média (que não é rica, a rigor) se sente incomodada. Talvez não se sintam pobres… E por isso, sentem-se excluídos… Ora, somos todos pobres. O rico que não tem fé é pobre. O pobre que se revolta com sua pobreza, também é. O idoso que vai perdendo a força e a saúde, eis o pobre! O milionário que só conta consigo mesmo, como é pobre! Se o pobre que confia em Deus é rico, o homem rico que se tranca a sete chaves com medo do ladrão, pobrezinho!… Frei Raniero Cantalamessa fala de “ricos no tempo e pobres na eternidade”, quando nossos tesouros são apenas as riquezas que passam, e não os valores eternos. Dinheiro, terras e fama, tudo leva o tempo. Só o amor de Deus permanecerá conosco… Ouvir que Jesus veio para anunciar a Boa Nova...