Até encontrá-la… (Lc 15,3-7)

Esta é uma das menores parábolas dos Evangelhos. Em apenas quatro breves versículos, uma síntese da salvação. Faz parte de uma trilogia (ovelha / moeda / filho) que, em tonalidade crescente, revela de forma definitiva o amor de Deus por nós, cristalizado na decisão irrevogável de salvar aquele que estava perdido.

Vale lembrar o contexto em que esta parábola foi dita: Jesus era alvo permanente de murmuração e críticas por fazer companhia a pessoas consideradas “fora da comunhão” da elite religiosa de seu tempo. Gentinha de segunda classe, “essa gente maldita que não conhece a Lei” (cf. Jo 7,49), avaliavam os fariseus.

A imagem oferecida por Jesus é suficientemente clara: um pastor que “abandona” em lugar deserto as 99 ovelhas “bem comportadas” para sair a campo e, incansavelmente, buscar pela ovelha perdida que se desgarrara do rebanho.

E Jesus aplica a parábola à situação religiosa de seu tempo: uma elite petrificada em um culto estéril, enquanto a grande multidão não recebia seu alimento espiritual.

Nas palavras de Jesus, lemos claramente que não é a honestidade aparente que faz a alegria do Senhor, mas o regresso ao lar daqueles que estavam perdidos.

E foi assim, misturando-se aos “perdidos”, aos “desclassificados”, que Jesus manifestava o diligente amor de Deus pelos homens. Nesta mesma linha, escreve o Papa Francisco:

“A missão que Jesus recebeu do Pai foi a de revelar o mistério do amor divino na sua plenitude. ‘Deus é amor’ (1Jo 4,8.16): afirma-o, pela primeira e única vez em toda a Escritura, o evangelista João. Agora este amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus. A sua pessoa não é senão amor, um amor que se dá gratuitamente. O seu relacionamento com as pessoas que se abeiram dele manifesta algo de único e irrepetível. Os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, doentes e atribuladas, decorrem sob o signo da misericórdia. Tudo nele fala de misericórdia. Nele, nada há que seja desprovido de compaixão.” (Misericordiae Vultus)

Orai sem cessar: “Tu serás chamada a Procurada…” (Is 62,12)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.