Amarás o teu próximo! (Mc 12,28b-34)

Como Jesus ensina neste Evangelho, o “maior” dos mandamentos – amar a Deus em plenitude – é inseparável do amor ao próximo, ao ponto de sua ausência sinalizar a ausência do primeiro. No documento do Papa Francisco, com seu pungente apelo a vivermos um ano jubilar da misericórdia, lemos estas palavras:

“Neste Ano Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos.

Neste Jubileu, a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda.

As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo.” (Misericordiae Vultus)

Vale a pena destacar alguns pontos destas palavras:

1. É o mundo atual que “cria” as periferias existenciais onde a vida humana se reduz a um drama de sofrimentos sem medida;

2. É a indiferença dos povos ricos que sufoca a voz dos mais necessitados;

3. É missão da Igreja dedicar-se ao cuidado desses desamparados;

4. Se indiferentes, anestesiados e cínicos, ficaremos alheios a esta realidade.

Uma prática religiosa que se limite a ritos, celebrações e meditações, mas não se orienta para o irmão que sofre, é uma grave ilusão que não merece o nome de cristianismo. Afinal, Cristo, o Fundador, deu a vida por nós…

Orai sem cessar: “A ti, Senhor, o pobre se abandona!” (Sl 10,14)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.