Ainda este ano… (Lc 13,1-9)

Quem planta uma árvore espera por seus frutos. A árvore ocupa lugar no terreno, sua sombra não deixa as uvas amadurecerem. O Dono da terra suou a camisa para plantar, adubar e podar. E a figueira não dá frutos?!
Pois é. Já são três anos de esterilidade. Por três vezes seguidas, a expectativa do Patrão foi em vão. O nome da figueira? Decepção. Que fará o Senhor da terra?

Ora, você não conhece esse Senhor… Ele vai esticar o tempo da paciência. Vai distender o ano da misericórdia. Vai dar mais uma oportunidade à arvore estéril. E ela dará frutos? O Evangelho responde: “talvez”…
Conheço muita gente que não fica satisfeita com um simples “talvez”. Este advérbio expressa um possibilidade, mas também uma dúvida. E não há muita gente disposta a apostar em situações duvidosas.

Pois este Patrão aceita esperar mais um ano. Ele sempre está disposto a apostar em nós. Nós, quem? Ora, esta figueira que eu sou, e que tem negado frutos, e que mereceria a visita de um machado…

Estamos falando de… misericórdia. Nosso Deus é o Deus da paciência e da misericórdia. Ele não é muito bom em contabilidade. Não entende de custo e benefício. Em sua estranha Bolsa de Valores, ele aposta sempre nas ações menos promissoras, tanto que entre os Doze escolhidos estava o seu futuro traidor…

Sei que muitos pregadores darão ênfase ao final desta perícope, acentuando a ameaça erguida sobre a cabeça do pecador: se não te convertes, serás cortado! É a permanente tentação de apresentar a imagem de Deus segundo as medidas humanas, eivadas de ódio e rancor, propícias ao troco e à vingança.

Sim, nós temos acreditado mais no medo que na esperança. Temos investido mais nas ameaças que na motivação. E o pior de tudo é imaginar que Deus imite nosso comportamento temperado com fel e adrenalina… As vísceras de nosso Deus (que a Bíblia hebraica chama de “rahamim”) são vísceras de mãe. Um Deus movido pelo amor, compassivo diante do erro, sempre propenso ao perdão.

Se o Juiz demora a voltar e o Apocalipse não se apresenta, agora sabemos por quê. O Amor insiste em esperar por nós…

Orai sem cessar: “O Senhor é bom, eterna é a sua misericórdia!” (Sl 100,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.