Por: Reuberson Ferreira,MSC*
A morte de qualquer pessoa é lastimável. A da vereadora carioca, filha da maré, negra, mãe solteira, Marielle Franco torna-se mais ainda pela causa que defendia, pela bandeira que desfraldava. Olhando à uma certa distância, percebe-se que lutava pelos direitos das minorias, sem vitimíssimo ou revanchismo.

Sob o fervor de sua morte, pessoas de matizes religiosas diversas (incluso cristãos), de posturas políticas variadas e convicções pessoais múltiplas questionam porque tanto alarde em torna da morte de Marielle. O alvoroço dá-se porque ela era uma pessoa pública que defendia uma causa popular. Ela foi morta por defender mulheres, pobres, negras, militares – minorias – que tiveram suas vidas ceifadas, seus direitos defraudados.

Caso ela ainda estivesse viva seguiria lutando para que essas e outras pessoas não morressem ou não fossem vitimadas. Assim, quando se faz estardalhaço, barulho ou se lança holofotes sobre sua figura, não é porque sua vida seja mais importante. Antes é por causa da luta que ela, no anonimato que gozava até morrer, defendia: a cultura de paz!

Em sendo assim, a morte dela não é mais importante do que a do filho de tantas marias que morrem diariamente (incluso, próximo a minha paróquia na periferia de São Paulo). Antes a morte dela torna-se simbólica. Ensina-nos que, para alguns, nenhuma forma de resistência à cultura posta é possível. Que existem pessoas que não querem que os que se incomodam com essa situação sigam vivendo. Caso alguém se oponha a essa cultura, deve também morrer!

Todas as vidas e todas as mortes deveriam ser importantes, respeitadas. Outros, assim como Marielle deveriam lutar para que não houvesse tantas injustas mortes. Quando se mata a vereadora ou outra pessoa que luta pela paz e pela justiça, no fundo, os algozes estão anunciando ao mundo que não devemos sonhar com paz ou com a justiça. Não obstante, a mensagem posta, não deixemos o projeto de um mundo justo soçobrar. Afinal, o desejo da paz foi também de um certo Galileu (Cf. Jo 14,27) a quem mais de um terço da população mundial segue!
*Reuberson Ferreira,M.S.C é mestre em Teologia pela PUC/SP. Membro do Observatório eclesial – Brasil e do Grupo de Pesquisa Religião e Sociedade. Vigário Paroquial na Paróquia São Miguel Arcanjo, Arquidiocese de São Paulo(SP).