ANSA449759_Articolo (1)A última mensagem dos bispos ao povo brasileiro, divulgada em 8 de dezembro de 1965, dia do encerramento do Concílio Vaticano II, estava dividida em três partes: O Concílio, A Igreja e sua presença no mundo e A Igreja no Brasil.

O Concílio

Na parte dedicada ao Concílio, os bispos fazem uma autoavaliação da participação no Concílio, mas vista em simbiose com os bispos e outros atores de todo o mundo e, insistem, que todos os textos levam a marca da solicitude pastoral:

“Nós fomos testemunhas e, com os Bispos de todo o mundo, fomos atores do Concílio. Nos documentos promulgados, vemos um pouco de nós mesmos, um pouco do mundo inteiro. Vemos condensado todo o imenso trabalho destes quatro anos. É o trabalho harmonioso de cerca de 2,5 mil Padres Conciliares, com a colaboração de peritos, com a presença e o incentivo de párocos, de observadores não católicos e de ouvintes leigos que mais de uma vez ajudaram a definir aspectos concretos da atuação do Evangelho”.

A Igreja e sua presença no mundo

Na segunda parte do documento, a Igreja e sua presença no mundo, o texto retoma as linhas fundamentais da Lumen Gentium e apresenta aspectos mais salientes da Gaudium et Spes:

“A Igreja, consciente de seu mistério, sabe que tem também a palavra certa para todos os homens nas várias conjunturas da vida: para a santidade e a fecundidade dos lares, para a educação dos filhos, para o diálogo do mundo do trabalho, para a justa distribuição dos bens da terra, para os direitos do homem à liberdade, à cultura, á responsabilidade de pessoa e de cidadão, para os problemas da paz e da guerra, enfim para tudo isso que faz a vida do ‘mundo de hoje’. É o que procurou fazer o esquema 13. Nesse documento, que representa uma novidade em matéria conciliar, empenhou-se a Igreja em realizar um justo equilíbrio de doutrina e de solicitude pastoral. Fala sobretudo como mestra dos cristãos, mas estende a sua palavra responsável e autorizada para todos os homens”.

A Igreja no Brasil

Na terceira parte da mensagem, Igreja no Brasil, os bispos afirmam que a tarefa da Igreja é sobretudo espiritual, mas acrescentam que “é dessa missão espiritual que se derrama a luz para iluminar também os caminhos da cidade terrena”. Os prelados brasileiros reconhecem os graves problemas vividos no país e lamentam o grande o número de “irmãos nossos” que vivem na miséria e na ignorância, o doloroso quadro de desigualdades sociais injustas e o desconhecimento da doutrina social da Igreja, “que é no entanto o remédio certo para sanar o desequilíbrio social”.

O documento recorda o discurso de Paulo VI ao episcopado latino-americano para falar dos problemas do Brasil e evita qualquer condenação ao regime militar instalado no país e seus abusos. Por fim, falam do desejos de todos:

“Por uma pátria grande, livre, democrática, onde todos possam viver com dignidade. Tenham certeza nossos diocesanos que no campo de nossa missão, não nos queremos omitir. Exortamos todos à paz e à concórdia. Afastem-se ódios e vinganças, para que possa expandir-se o Reino de Deus na Pátria terrestre. Não ignoramos as dificuldades da hora presente. Confiamos no bom-senso e no espírito cristão que sempre nortearam nossos destinos, mesmo nas horas mais difíceis, a fim de podermos palmilhar os caminhos da verdade e da justiça. Com nossas preces, às quais se unem as de todo o povo cristão, pediremos a Deus que inspire aos que têm sobre os ombros as responsabilidades do governo temporal”.

Concomitante com a última sessão do Concílio Vaticano II, o Presidente Castelo Branco decretou, em 27 de outubro de 1965, o Ato Institucional n.2, que dissolveu partidos políticos, prorrogava o próprio mandato até março de 1967, mantendo o poder de, a qualquer hora, dissolver o parlamento e decretar o estado de sítio.

FONTE: Padres Conciliares Brasileiros no Vaticano II: Participação e Prosopografia. 1959-1965.  José Oscar Beozzo

Fonte: CNBB